Roubo e furto de veículos no Brasil: o que o Anuário 2026 mostra

Roubo e furto de veículos no Brasil: 308.440 casos em 2025 e taxa por 100 mil veículos por estado, segundo o Anuário 2026

O roubo e furto de veículos caiu no Brasil em 2025. Ainda assim, um carro ou moto desapareceu a cada 1 minuto e 42 segundos. É o que mostra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP): foram 308.440 roubos e furtos de veículos no ano, cerca de 845 por dia, ou 35 por hora.

A queda é real. A taxa nacional recuou 14,3% em relação a 2024. Mas quem gerencia frota, transporta carga ou responde pela segurança de colaboradores em deslocamento sabe que média nacional não protege ninguém. O risco não está distribuído pelo país. Ele se concentra em estados, cidades, bairros e horários específicos.

Estatística boa no agregado pode esconder um problema grave no seu trajeto.

Os números do Anuário 2026 sobre roubo e furto de veículos

O Anuário separa as duas modalidades, e a diferença importa para quem planeja prevenção:

  • Roubos (com violência ou grave ameaça): 104.491 em 2025, contra 126.358 em 2024. A taxa caiu de 101,9 para 80,9 por 100 mil veículos — redução de 20,6%.
  • Furtos (sem violência): 203.949 em 2025, contra 219.145 em 2024. A taxa caiu de 176,8 para 158 por 100 mil veículos — redução de 10,6%.

Dois em cada três veículos subtraídos foram furtados, não roubados. Isso muda a natureza da prevenção. O roubo exige protocolo de abordagem, rota e horário. O furto exige atenção ao local de parada, ao pátio, à rua onde o veículo passa a noite e ao tempo em que fica sem vigilância.

Onde o risco se concentra

Quando a análise sai da média nacional, o cenário muda. Em volume absoluto, cinco estados respondem por cerca de 71% de todas as ocorrências do país:

  1. São Paulo: 112.358 ocorrências — aproximadamente 36% do total nacional
  2. Rio de Janeiro: 42.725
  3. Minas Gerais: 27.611
  4. Pernambuco: 18.704
  5. Bahia: 16.715

Volume, porém, conta só metade da história. Estados com frotas grandes acumulam mais casos sem necessariamente oferecer o maior risco por veículo. Por isso o Anuário também calcula a taxa por 100 mil veículos, e aí o ranking é outro:

  1. Rio de Janeiro: 516,8 (queda de 14,6%)
  2. Pernambuco: 476,5 (queda de 6,5%)
  3. Paraíba: 349,1 (alta de 15,5%, com roubos subindo 24,2%)
  4. São Paulo: 318,0
  5. Acre: 310,7 (alta de 14,4%)
  6. Bahia: 292,6
  7. Maranhão: 290,4

Paraíba e Acre andaram na contramão do país. Para uma operação com presença nesses estados, a queda nacional simplesmente não se aplica.

Média nacional é dado de manchete. Decisão exige dado de bairro

O Anuário é a melhor fotografia anual da segurança pública brasileira. Mas ele responde à pergunta “como está o país?”. O gestor de risco precisa responder outra: “onde, quando e como o meu veículo está exposto?”.

Essa resposta só aparece no nível do território. Dentro de uma mesma cidade, a diferença entre um bairro e outro pode ser maior do que a diferença entre dois estados. Um pátio de distribuição, um ponto de entrega recorrente ou a rua onde o motorista pernoita definem a exposição real muito mais do que qualquer taxa estadual.

É por isso que a Dados de Riscos transforma as bases oficiais das secretarias de segurança em mapas consultáveis por bairro e região:

Para entender como usar esse tipo de leitura no dia a dia, vale ver também como um mapa de roubo de veículos apoia decisões.

Reativo x estratégico: o que muda na gestão de frotas

A gestão reativa trata o roubo como sinistro: registra o boletim, aciona o seguro, repõe o veículo e segue. O custo aparece no prêmio do seguro, na franquia, na carga perdida, na operação parada e, sobretudo, no risco à integridade do motorista.

A gestão estratégica usa o dado antes do evento:

  • Rotas e paradas: evitar ou proteger trechos e pontos com recorrência de ocorrências.
  • Horários: ajustar janelas de entrega e circulação conforme o padrão local de roubos.
  • Pernoite e pátios: escolher locais de guarda com base no histórico de furtos do entorno.
  • Alertas em tempo real: avisar a central quando o veículo entra em área de atenção, com alertas georreferenciados para frotas.
  • Revisão periódica: o mapa de risco muda. Uma área tranquila no ano passado pode não ser hoje — como mostram Paraíba e Acre.

Para a diretoria: o que esses números significam

Para quem decide orçamento, a leitura do Anuário 2026 cabe em três pontos:

  1. A queda nacional não é garantia local. O risco da operação depende de onde ela roda, não da média do país.
  2. Furto pesa mais que roubo em volume. Investimento só em escolta e rastreamento deixa descoberta a maior parte das ocorrências.
  3. Dado territorial é ativo de gestão. Ele reduz perda, sustenta negociação com seguradora e protege pessoas.

O Brasil registrou menos roubos e furtos de veículos em 2025. A sua operação só vai sentir essa queda se souber exatamente onde o risco continua.

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), dados de 2025.